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Blog - 19.10.2017
Internet como fator de mudança na fotografia
                                       
 
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Crédito: ©iStock.com/TARIK KIZILKAYA

O avanço das redes sociais, somado a sua relevância no cotidiano das pessoas, trouxe uma mudança interessante para o mundo da fotografia. Se antes a maneira mais comum era tirar fotos na horizontal – pensando tanto nos álbuns de família quanto na diagramação de um jornal –, hoje as mídias digitais nos influenciam a registrar os nossos momentos verticalmente. Se pararmos para analisar, a maioria das redes sociais valorizam imagens captadas na vertical. Basta observar o feed do Facebook ou do Instagram, as publicações dos stories e do Snapchat. Se não for feito verticalmente, a imagem ou o vídeo não se adapta tão bem àquela plataforma.

Quem dita essa mudança é o aparelho celular. Essa tendência começa por uma questão básica: o formato mais comum das telas dos smartphones que utilizamos  "implora" para que tudo seja na posição vertical. Levando em conta que, de acordo com pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), 81,5 milhões de brasileiros acessam à internet pelo celular, é inegável que esse aparelho tem a capacidade de mudar hábitos. O levantamento aponta ainda que o celular está em 92% dos lares no país, sendo o segundo dispositivo mais presente. Perde apenas para os televisores, que abrangem 98% dos domicílios.

Além disso, as câmeras cada vez mais potentes dos celulares fazem com que os aparelhos se tornem grandes rivais das máquinas fotográficas. O levantamento Are smartphones killing digital cameras?, organizado pela plataforma Statista, apurou que, em 2016, as empresas  que são membros da Camera & Imaging Products Association (Cipa) comercializaram 24,2 milhões de máquinas digitais. Em comparação com 2010, esse número representa baixa de 80% das vendas. Somos influenciados pelos smartphones duas vezes: tanto ao registrar o momento quanto ao compartilhar em nossos perfis na internet. Uma dica para os fotógrafos que ainda não se acostumaram com a tendência vertical é tentar captar sempre as imagens das duas formas. Quando fotografar, dê um clique na horizontal e outro na vertical. Assim, haverá opções tanto para versão impressa quanto para o Instagram.

Para quem trabalha com comunicação, esse é um fator importante e que deve ser levado em conta na hora de criar um conteúdo para as redes sociais. Postagens que estão de acordo com o que a plataforma pede, além de mais bonitas, chamam mais a atenção e, consequentemente, geram mais visualizações e interações. É interessante pensar também que o usuário procura sempre o que lhe traga mais facilidade. Se o formato da publicação obrigá-lo a virar o smartphone para outro ângulo, a chance desse esforço gerar desmotivação para seguir olhando o conteúdo é grande. Estar antenado a essas e outras tendências é essencial para manter um bom trabalho na internet e demais plataformas.

Laís Albuquerque, estagiária de Jornalismo (Temática)


Blog - 04.10.2017
Hora de mudar e se reinventar
                                       
 
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Nos últimos meses, uma enxurrada de notícias tem anunciado a busca de ©iStock.com/maxsattanaalternativas para a retomada da economia. O grande número de denúncias que envolvem o alto escalão da política gera insegurança no mercado a tal ponto que muitas empresas ficam sem saber que rumo tomar. Quem está paralisado, aguardando que uma solução mágica resolva questões existenciais do país, perde a chance de se reinventar. Pode parecer clichê, mas muitos negócios estão retirando o “s” da palavra crise e literalmente criando novas oportunidades. Para especialistas, o foco deve estar em eficiência financeira e tecnologia.

Independentemente do ramo de atuação, apostar em soluções digitais se mostra uma questão de sobrevivência no mercado. Com baixo custo operacional, facilidade de acesso, métricas para verificar resultados em campanhas, preço final mais atrativo e amplo poder de alcance, além de outras vantagens, o e-commerce, por exemplo, tem representado uma alternativa rentável para empreendimentos de diferentes áreas. O 35º relatório WebShoppers indica que 48 milhões de consumidores compraram pelo menos uma vez no comércio eletrônico em 2016 – 22% a mais do que em relação ao ano anterior. Este público nada mais é do que 1/4 da população brasileira.  

Diante dessa realidade, um termo que está cada vez mais em voga é a disruptura, ou seja, a necessidade de romper com determinado modelo, ação ou modo de pensar. E isso predispõe mudanças! Adaptar-se à chamada era da inovação radical significa conviver com robôs inteligentes e drones, entender de big data (grande volume de dados armazenados) e cloud computing (computação em nuvem), usar vários aplicativos, ter ampla conectividade e engajamento nas redes sociais, usufruindo da comunicação multiplataformas. Por isso, muitos empreendimentos estão buscando remodelar suas atividades, para terem mais relevância na vida dos consumidores.

Um estudo realizado pela KPMG, porém, mostra que os brasileiros não estão preparados para novidades. Em uma escala de zero a um, a nota do país foi 0,49 no Índice de Prontidão a Mudanças em 2017– ficando em 79º lugar na lista mundial. Na edição de 2015, o Brasil tirou 0,52 (59ª posição, entre 136 países). O mau desempenho, segundo a pesquisa, está relacionado à redução em gastos de inovação e à piora das finanças públicas.

É preciso estar à frente, acompanhando as transformações do mercado, promovendo melhorias e se antecipando às necessidades dos clientes. As empresas que fizeram o tema de casa ao longo dos anos, pouco sentem ou se mostram abatidas com as adversidades nacionais. À medida que chegam os primeiros sinais de recuperação no país, deve-se ir além: repense qual a relevância do seu negócio, ofereça diferenciais e experiência. Mas antes de apostar em novas estratégias, descubra o estágio da sua transformação digital. Reorganize a gestão para que se possa investir em constante inovação, sem esquecer do maior ativo das organizações: as pessoas.

Cláudia Boff, Jornalista (Temática)

Tags: inovação, digital, e-commerce, disruptura, reinventar


Blog - 15.08.2017
O futuro é uma astronave que tentamos pilotar
                                       
 
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©iStock.com/CHBDO futuro é uma astronave que tentamos pilotar/ Não tem tempo nem piedade, nem tem hora de chegar/ Sem pedir licença muda nossa vida, depois convida a rir ou chorar”. O trecho de Aquarela, o maior sucesso de Toquinho, é o mote para falarmos do que está por vir. Segundo o futurista Gerd Leonhard, palestrante, músico e produtor, a humanidade mudará mais significativamente nos próximos 20 anos do que nos últimos 300.

Essa linha de pensamento também é adotada pelo consultor José Roberto Resende. De volta de uma viagem ao Vale do Silício (EUA), ele afirma: muitas empresas que hoje são grandes irão desaparecer. Nos Estados Unidos, o número de fechamento de lojas físicas começa a bater recordes. O empresário gaúcho Gustavo Schifino explica o porquê: “Ninguém se deslocará mais por necessidade, apenas por prazer”. Os estabelecimentos de rua, para sobreviverem, precisarão proporcionar ótimas experiências de compra.

Na visão de Leonhard, os automóveis atuais serão substituídos no futuro por carro autônomos e elétricos. Haverá redução drástica no número de veículos individuais, que permanecem 90% do tempo parados em estacionamentos e garagens. Os millennials, por exemplo, já não dão o mesmo valor ao carro que as gerações anteriores. O motorista vai virar o passageiro de um computador sobre rodas sem único dono, podendo utilizar o tempo de deslocamento de forma mais produtiva.

Das 10 maiores empresas do mundo, sete são de tecnologia. Para Resende, quem não existir digitalmente estará fora do jogo. Os conceitos mais trabalhados lá fora, pelas empresas de ponta, são Aprendizado de Máquina, Computação Cognitiva, Inteligência Artificial e Internet das Coisas. Se as máquinas substituíram os braços humanos na indústria, nas próximas décadas os computadores e softwares irão substituir advogados, médicos e professores, em muitos casos. As impressoras 3D produzirão objetos de uso pessoal. Atendentes e caixas vão se tornar profissionais em extinção. “O desemprego aumentará, será um flagelo muito grande”, admite.

Esse momento de profunda transformação terá como personagem-chave a geração que já nasceu sob o domínio da internet. Em poucos anos, ela já será responsável pela maior parte do consumo no planeta. Viciada em prazer, em respostas rápidas e em atividades que façam sentido, a juventude digital tem alta capacidade de produção, mas se frustra rapidamente; quer menos hierarquia nas empresas, porém, sente falta de mentores; lida muito bem com as tecnologias e, em contrapartida, evita contatos pessoais. Entre seus integrantes, o desemprego chega a 27% no Brasil. Com tantos artigos escritos a respeito, os millennials percebem que o mundo corporativo ainda não se preparou para a sua chegada. Uma queixa comum é: as companhias ‘enchem a boca’ para falar sobre carreira, mas não perguntam ao jovem o que ele mais gosta, quais tarefas executa melhor e como poderia desenvolver seu talento.

É tarefa de todo negócio tentar antever sua existência no futuro. O AirBnb ameaça os hotéis sem ter um quarto como propriedade. O Uber tira mercado dos táxis sem ser dono de um carro. Iniciativas educacionais mudam para plataformas mobile com a finalidade de atender consumidores ávidos por facilidades. Em suma: o que deu certo até agora não significa que dará certo amanhã. O empresário precavido repensa periodicamente suas estratégias: em time ganhador se mexe sim. E para terminar com música o que começou assim, o camaleão inglês e lançador de tendências David Bowie deixou dito: “O amanhã pertence àqueles que o conseguem ouvir chegando”.

Diego Castro, Jornalista (Temática)

Tags: futuro, negócios, millennials, tecnologia


Blog - 07.08.2017
Lei Maria da Penha completa 11 anos
                                       
 
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A história de Maria da Penha Fernandes virou símbolo do combate à violência contra as mulheres. Crédito: Antonio Cruz/Divulgação Agência BrasilHoje, 7 de agosto, a Lei Maria da Penha completa 11 anos. A legislação, criada para proteger as mulheres de abusos e agressões, é considerada fundamental no combate à violência contra a mulher no Brasil.

Maria da Penha é uma farmacêutica cearense, que lutou por 20 anos para ver seu agressor preso. Em 1983, ela foi baleada por seu marido enquanto dormia. A lesão a deixou paraplégica. Sobreviveu, no mesmo ano, a outra tentativa de assassinato, por eletrocussão durante o banho. "Foi uma surpresa grande ver a minha luta pessoal beneficiar tantas mulheres que, assim como eu, foram agredidas", afirmou recentemente, em entrevista ao UOL

De acordo com Fabiana Dal’Mas Rocha Paes, integrante do Movimento do Ministério Público Democrático e promotora de Justiça do Grupo de Atuação Especial e Enfrentamento à Violência Doméstica, o Brasil nasceu sobre a colonização escravocrata e tradição cultural machista. “Por esta razão, durante muitos anos, os atos criminosos praticados na esfera privada ficavam impunes. Note-se que é nesse espaço que as mulheres sofriam e ainda sofrem mais atos de violência. Aplicava-se a conhecida expressão de que ‘em briga de marido e mulher ninguém mete a colher’”, lembra a promotora.

A Lei Maria da Penha é conhecida por 100% da população, conforme indica o levantamento do DataSenado de 2017. E mais: foi reconhecida pela ONU como uma das três melhores legislações a respeito do tema violência doméstica. 

Há, entretanto, muito a se avançar: enquanto se sabe da existência da legislação, alguns pontos e definições não são tão conhecidos, como o que se enquadra no texto. Entende-se por violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual, psicológico, sexual ou patrimonial. 

Segundo o Mapa da Violência, divulgado em 2015 pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, o Brasil ocupa o 5º lugar, dentre os 83 países com maior número de ocorrências de homicídios femininos. As mulheres vítimas de violências de gênero sofrem com o despreparo das delegacias e de seus funcionários para recebê-las adequadamente (leia mais clicando aqui). Além disso, em 2016, o governo federal retirou o status de ministério da Secretaria de Políticas para as Mulheres, o que Maria da Penha observa como um grande retrocesso. 

Para marcar o aniversário de 11 anos da aprovação da Lei, o Instituto Maria da Penha criou o site Relógios da Violência, que mostra quantas mulheres sofrem os 5 tipos de violência por segundo. “Os dados são alarmantes e precisam ser pulverizados para que homens e mulheres se conscientizem do cenário violento que vivemos”. 

A página entrou no ar às 0h de hoje, contabilizando as horas por números de mulheres vítimas de violência. O instituto convida internautas a visitar o site www.relogiosdaviolencia.com.br e divulgá-lo nas redes sociais. “Entre no site, escolha um relógio e compartilhe com a hashtag #TáNaHoraDeParar, dessa forma podemos ver todas as pessoas que postaram”, orienta a instituição, lembrando que a informação é uma grande aliada das mulheres quando o assunto é violência doméstica e familiar. O site informa também sobre o ciclo da violência. As mulheres estão submetidas a um círculo que se repete. São três as principais fases da agressão: aumento da tensão, ato de violência, arrependimento e comportamento carinhoso.

A Lei Maria da Penha é aplicável em casos de agressões contra a mulher em qualquer idade, inclusive quando é menor e sofre violência doméstica praticada por seu genitor, tendo como elemento comum a caracterização de relação familiar ou de afeto entre o agressor e a vítima. Ou seja, a Lei age em prol da mulher em casos que envolvam o marido, o companheiro, o namorado, o pai, irmãos, ex-namorados e, até mesmo, em relação à cunhada. 

Há também alguns mitos a serem derrubados, como lembra a página Relógios da Violência: “A violência contra a mulher ultrapassa questões de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível educacional idade e religião. Toda mulher pode ser uma vítima. Do mesmo modo que todo homem pode ser um agressor. E como disse a juíza Tatiane Lima, do Fórum Regional do Butantã: Não existe perfil básico de agressor. A violência é democraticamente perversa”. 

Um dado altamente preocupante é o de que a maior parte das mulheres ainda se cala: 52% das vítimas, segundo as pesquisas mais recentes. Isso está fortemente ligado ao fato que, na maior parte dos casos, o autor da violência doméstica é um familiar da vítima, principalmente marido ou ex-marido. “O medo do agressor, a dependência financeira ou afetiva, o sentimento de impunidade, a preocupação com os filhos e até mesmo o desconhecimento de seus direitos, geram à vítima o temor de denunciá-lo”, escreveu Regina Beatriz Tavares da Silva, presidente da Associação de Direito de Família e das Sucessões, Doutora em Direito pela USP e advogada em um artigo.

Quer saber mais sobre o tema? Deixo aqui outras indicações de leitura:

– A Agência Patrícia Galvão colocou no ar um especial com sete matérias sobre os direitos previstos na lei de enfrentamento à violência doméstica, mas que efetivamente ainda não saíram do papel

– Texto sobre prevenção e combate

– 3 em cada 5 mulheres são vítimas de relacionamento abusivo 

– Violência doméstica contra a mulher: quando você pode – e deve – acionar a justiça

Laura Schenkel, Jornalista (Temática)

Tags: Lei Maria da Penha, violência contra a mulher, violência doméstica


Blog - 13.07.2017
Quando a palavra escrita não existe mais
                                       
 
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Escolhi cursar jornalismo há algum tempo por gostar de palavras. Ler, discuti-las, entender o seu discurso. Quando entrei na faculdade descobri a minha preferência por impresso, o que veio a calhar com a formação em Letras, que estou em vias de formalizar. Gosto de semântica, fonética, sintaxe e morfologia. Me diverte entender de onde as palavras vêm, quais as suas relações com os sons, como elas se organizam e se regem e também como elas adotam certos sentidos. A vida em sociedade não seria possível se não tivéssemos as palavras, e, mais do que isso, a palavra escrita.

A abolição da palavra escrita é um dos preceitos da sociedade teocrática descrita por O conto da aia, livro que terminei de ler recentemente. Na obra de 1985, a autora Margaret Atwood traz uma realidade distópica na República de Gilead,  que anteriormente fora os Estados Unidos, e agora é um estado centralizado em uma teocracia fundamentalista totalitária. Em Gilead não existem mais jornais, revistas, livros ou filmes – todos foram queimados em praça pública, e as universidades foram extintas. Regido por poder patriarcal, os direitos das mulheres não existem mais, e elas se dividem em castas, cada uma assumindo funções específicas a serem desempenhadas no Estado. Offred, a protagonista, é uma aia – handmaid, na versão original – e sua função é unicamente prover filhos saudáveis para as famílias poderosas e quase estéreis do alto escalão. É partindo desta premissa que O conto da aia se desenrola, trazendo reflexões necessárias sobre o nosso presente, o quanto não devemos contar como certa a nossa liberdade e nossos direitos civis, e também como é frágil o mundo como o conhecemos.

Margaret Atwood, em diversas entrevistas sobre o livro, revelou que nenhuma das regras de Gilead foi criada por ela mesma – todas foram retiradas de algum determinado momento da história. Por isso assombra que o conhecimento escrito tenha sido simplesmente excluído da vida cotidiana da população. As fachadas das lojas não trazem nomes, apenas símbolos do que vendem, como uma placa com ovos e carne desenhados para designar a mercearia. Na casa onde mora, o único artefato com algo para leitura dado a Offred é uma pequena almofada na qual está escrito ‘Fé’. Quando a sua vida dá uma pequena reviravolta e a protagonista se depara com a possibilidade de realizar algo ilícito, lhe é dada uma revista de moda antiga para folhear, crime punível com amputação de uma das mãos.

Ler é ilícito, e escrever mais ainda. Uma grande ironia da adaptação do livro para seriado de TV homônimo, lançado este ano pelo serviço de streaming Hulu, é que a esposa da casa de Offred, Serena Joy, era uma proeminente escritora na instauração da república de Gilead, e na época assumiu uma posição de porta-voz dos fundamentalistas, ajudando na idealização do movimento. Agora, relegada a uma vida doméstica e restrita, Serena Joy está infeliz com o rumo que as coisas tomaram.

As palavras escritas documentam, expressam mentalidades e retratam realidades. Elas permitem liberdade e fazem viajar pelo tempo. Mais do que perigosas, elas são eternas exatamente por serem verdadeiras. Ao vasculhar o quarto em que ela fica confinada a maior parte do dia, buscando algo para fazer e não enlouquecer, Offred encontra, gravada em uma prateleira de seu guarda-roupa, uma mensagem de sua antecessora. Nolite te bastardes carborundum. Não deixe os bastardos te reduzirem às cinzas. Quatro pequenas palavras em latim que vão muito além do seu significado e resgatam algo quase morto na protagonista – a resistência.

Nathália Cardoso, estagiária de Jornalismo (Temática)


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Direto da redação
19.10.2017
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