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Blog - 16.05.2018
O deus e o diabo da tecnologia
                                       
 
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Muitos jovens japoneses preferem namorar Rinko, uma personagem virtual do jogo LovePlus, do que terem relacionamentos reais. Na Suécia, aficionados em tecnologia estão implantando nas mãos microchips de radiofrequência que podem substituir chaves, cartões e dinheiro. Há um temor, contudo, de que a privacidade possa estar a perigo caso o mecanismo seja usado para rastreamento de atividades, gostos ou lugares percorridos. Um maníaco por gadgets coleta todos os dias uma infinidade de dados sobre si mesmo que, se o ajudam a melhorar a forma física, também o deixam viciado nos gráficos e informações. Um homem que perdeu um olho em acidente doméstico o substitui por um órgão falso com câmera acoplada.

Tudo isso é só uma palhinha do que vemos na série Rede Sombria (disponível no Netflix), que aborda os meandros da Deep Web. Os episódios vão ainda mais fundo no que ocorre na grande rede, debaixo ou não dos olhos das autoridades, sempre mostrando essa dualidade das inovações: ao mesmo tempo em que provocam enormes avanços, ajudando as pessoas a superarem problemas, elas oferecem riscos inerentes às próprias qualidades, afetando comportamentos, monetarizando ações cotidianas, dependendo de quem as fornece e de quem as utiliza.

Talvez essa seja uma boa questão para debate. O quanto essas tecnologias dependem do bom senso para efetivamente aprimorarem nossas experiências e nossa vida. Quantas pessoas leem os termos de condição ao baixarem aplicativos e softwares? Quantas micro e macro patologias podem ser associadas às redes sociais, ao uso de celulares, à permanente necessidade de conexão com o mundo inteiro? O que vale a pena sacrificar em nome do trabalho, do dinheiro, do prazer, do reconhecimento? O quanto de sua vida deve ser pública?

O bom senso está ligado à ideia de sensatez, sendo uma capacidade intuitiva de distinguir a melhor conduta em situações específicas, utilizando critérios de razoabilidade e medindo consequências. Não se faz download disso. Você não vai encontrá-lo na App Store. Não é toda escola que ensina, nem todo lar. Aí reside o perigo. Estamos constantemente trafegando por caminhos que nos levam a julgar valores e condutas. Dependemos da ética e da honestidade de outros para que nossos dados pessoais não sejam negociados ou utilizados para fins escusos. Há leis para coibir abusos? Claro que sim. O que se vê, entretanto, é que a punição nesses casos dificilmente compensa o dano causado.

Diego Castro, jornalista

Tags: tecnologia, avanços, bom senso, consequências


Blog - 19.04.2018
O sono é sagrado
                                       
 
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Uma boa noite de sono ajuda a memória, o aprendizado e o nosso humor. A ciência vem estudando a importância do sono, a relação dele com a memória e o que ocorre com quem é privado de sono. Aqui vão mais algumas informações interessantes sobre o tema:

1. Lembrar só o importante e esquecer o desnecessário

Nos últimos anos, descobriu-se que durante as horas na cama se desenvolvem processos que fixam as memórias. Segundo um estudo recente, esquecer o inútil é necessário para lembrar o que é importante. Assim, dormir serviria para esquecer quase tudo, deixando apenas as memórias fixadas nas sinapses mais fortes. Segundo uma pesquisa desenvolvida pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), publicada no El País, um ciclo completo de sono, de mais de 90 minutos, ajuda a fortalecer memórias adquiridas recentemente. Na reportagem, é possível ler também sobre como a falta de sono favorece a aparição de falsas lembranças. 

2. Sono perdido

De acordo com Monica Andersen, professora da Unifesp e diretora do Instituto do Sono, o sono nunca é reposto. Ela cita uma pesquisa realizada no passado – e que não poderia ser repetida hoje em dia, por entrar em confronto com a ética – em que um jovem foi privado de sono por 11 noites. Ao final desse período, foi liberado que ele dormisse, e ele o fez por 15 horas na primeira noite. Entretanto, descansou apenas duas horas a mais que o normal nas duas noites subsequentes. De acordo com o senso comum, poderíamos imaginar que ele fosse compensar muito mais horas.

3. Dormir tarde faz mal?

Um estudo realizado no Reino Unido aponta que aqueles que dormem muito tarde tinham tendência a ter o risco de morte ampliado em 10% em comparação com quem dorme cedo. Publicada na revista Chronobiology International, a pesquisa acompanhou 430 mil pessoas entre 38 e 73 anos ao longo de seis anos e meio. Os participantes que dormiam tarde possuíam ou desenvolveram doenças como diabetes e distúrbios psicológicos, neurológicos e gastrointestinais. Os problemas de saúde que estão ligados a dormir tarde podem ser resultantes de um descompasso entre o relógio biológico e as atividades do cotidiano, como trabalhar e comer. 

4. Para dormir melhor

Se você sofre de insônia, confira as dicas do neurologista Geraldo Rizzo, especialista em sono, no vídeo que fizemos para a Revista Bens & Serviços, publicação mensal da Fecomércio-RS.

Laura Schenkeljornalista (Temática)


Blog - 12.04.2018
A violação de privacidade nossa de cada dia
                                       
 
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O vazamento de dados do Facebook, ocorrido recentemente, coloca em discussão a©iStock.com/Oatawa falta de uma regulamentação efetiva em defesa da privacidade dos mais de 4 bilhões de usuários de internet, o que representa 46% da população mundial – só no Brasil são mais de 116 milhões de pessoas conectadas à rede mundial de computadores, conforme relatório da We are Social e Hootsuite. O escândalo, publicado pelo jornal americano The New York Times, expôs o compartilhamento indevido de informações de mais de 87 milhões de usuários da rede social em um quiz realizado em conjunto com a consultoria Cambridge Analytica.

Em depoimento ao Senado americano, realizado nesta semana, o CEO e fundador do Facebook, Mark Zuckerberg disse que os dados violados pelo aplicativo entre 2013 e 2014 não foram usados para influenciar o resultado da eleição presidencial do país em 2016, na qual Donald Trump saiu vencedor. Após inúmeras desculpas, o executivo reiterou a promessa de “cuidar melhor” do conteúdo disponibilizado na rede social. Porém, não garantiu que aceitaria uma lei que obrigasse a obtenção da permissão direta dos usuários para compartilhar suas informações sobre hábitos, saúde e relacionamentos.

No final de março, o CEO passou a coordenar uma série de medidas em prol da privacidade dos internautas, mas a imagem da empresa foi gravemente abalada. Muitos especialistas chegam a prever que o incidente representa a possível derrocada e até mesmo o fim da mais famosa rede social do planeta. Com quase 2 bilhões de usuários, o sucesso dessa popular mídia fez com que grande parte de diferentes serviços online associassem o seu login à conta do Facebook. Por conta disso, é provável que tenhamos muitos aplicativos conectados ao nosso perfil na rede social e nem lembremos de todos.

Esse fato evidencia que não há controle dos dados obtidos pelas empresas na web e muito menos da privacidade das pessoas, o que resulta no uso indevido de suas informações. Não bastasse esse episódio, praticamente tudo que fazemos na internet precisa de um cadastro, deixando-nos muito suscetíveis no mundo digital a sofrer violações desse tipo. Mas, afinal, para onde vão todas essas informações e como elas são realmente usadas?

No Brasil, o Marco Civil da Internet (lei n° 12.965/14) regula o uso da rede mundial de computadores por meio da previsão de princípios, garantias, direitos e deveres dos internautas, bem como diretrizes para a atuação do Estado. O projeto ganhou força em 2013, quando foram descobertas as práticas de espionagem usadas pelo governo americano contra o Brasil e outros países. De acordo com a legislação, “fica permitido – para preservar a estabilidade e segurança da rede – que as operadoras façam o gerenciamento das redes utilizando as medidas técnicas estabelecidas pelo padrão internacional”. Já o artigo 11 garante que “qualquer operação de coleta, armazenamento, guarda e tratamento de registros, dados pessoais ou de comunicações por provedores de conexão e de aplicações de Internet em que um desses atos ocorram em território nacional, deverá ser respeitada a nossa legislação”.

Fica claro que a fiscalização tanto de órgãos nacionais e internacionais se mostra precária e insuficiente, favorecendo as empresas no uso de dados pessoais para a venda e direcionamento de publicidade. Cabe aos usuários filtrar o que de fato precisa ser exposto de sua rotina na internet, com o cuidado de manter a coerência, o respeito e a verdade nas mensagens postadas nas redes sociais. Pois, afinal, somos vigiados sim – todos os dias – e nossos dados são usados abertamente por diferentes fontes e meios, seja em caráter comercial ou político e pragmático.

Cláudia Boff, jornalista (Temática)

Tags: internet, redes sociais, Facebook, privacidade, vazamento, violação, dados, informações


Blog - 27.03.2018
Fuja da polarização
                                       
 
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A crise política e econômica parece ter cindido o Brasil em dois polos que se acusam mutuamente por todas as mazelas. Na imprensa e nas redes sociais, quase tudo vira um debate de dois espectros: direita e esquerda. Se, por um lado, a crescente politização pode ser boa como efeito de conscientização da realidade, por outro torna-se um debate surdo, em que nenhuma parte normalmente se propõe, de fato, a considerar os pontos da outra.

Momento semelhante vivenciaram os Estados Unidos nas eleições presidenciais entre Trump e Hillary. Aproveitando o ensejo, uma série cômica chamada Horace and Pete, veiculada somente no YouTube, mostrou uma cena que é um perfeito retrato dessa divisão. São três personagens no balcão de um bar, discutindo política. Um representando os conservadores (naquele país, a direita), o outro, os liberais (a esquerda). O do meio age como um “mediador”. Faço abaixo uma tradução livre de um trecho:

– É interessante como vocês se definem. Como você define um liberal? – pergunta ao conservador aquele com o papel de mediador.

– É só o politicamente correto, com uma falsa defesa dos direitos dos animais, ficam empurrando a agenda gay, parece que odeiam os cristãos e o homem branco. Eles se acham melhores do que as outras pessoas, e consideram que podem dizer a elas o que pensar. São idiotas!

– E como você definiria um conservador? – pergunta então o mediador ao liberal.

– É Jesus para todo lado, odeiam os gays, são racistas mas fingem não ser, agem de forma egoísta e tudo com o que se importam é o dinheiro.

– Mas se vocês se enxergam assim, como esperam poder concordar em algo? Esperem um pouco. Conservador, defina-se a você mesmo – solicita o mediador.

– É alguém que tem valores e se atém a eles. É preciso entender que o país, a vida e Deus são coisas sagradas. As pessoas deveriam respeitar umas às outras. O governo precisa estar lá para facilitar as relações e não para controlar as pessoas. A maneira com a qual você tira o melhor delas é dando vazão a seus pontos fortes e não as compensando em exagero por suas fraquezas.

– Parece razoável, – diz o mediador. Agora você, defina-se como liberal.

– É estar aberto a questões fora de seu âmbito, pensar nos outros e ter ciência de que somos responsáveis pelo planeta. As pessoas precisam se tolerantes umas com as outras, entendendo que uma comunidade com diversidade é uma comunidade forte. Às vezes, o pequeno precisa de uma mãozinha, e somos uma nação forte o suficiente para ajudá-lo.

– Bom, se vocês começarem o debate tomando por base a definição que o outro tem de si mesmo, não acham que há uma chance maior de chegarem a um consenso? – questiona o mediador.

Nesse momento, outro cliente do bar intervém na conversa:

– Quem disse que eles querem isso? Estão praticando um esporte!

Cabe a cada um de nós saber até que ponto vale praticar esse esporte, e quando ele começa a provocar lesões ou aborrecimentos demais. Talvez esteja faltando habilidades de negociação nesse cenário. No best-seller Como Chegar ao Sim (de William Ury, Rober Fischer e Bruce Patton), podemos encontrar valiosas lições acerca do tema. Deixo aqui, sem me alongar na conversa, quatro dicas fundamentais da obra: sempre separe as pessoas do problema a ser resolvido; concentre-se nos interesses da outra parte, e não nas suas posições; tente encontrar opções de ganhos mútuos e, por fim, insista em critérios objetivos para chegar a acordos sensatos e justos. William Ury e seus colegas aconselham o bom negociador a não responder a ataques pessoais. “Não aceite nem rejeite a posição do outro. Trate-a como uma opção possível, procure os interesses por trás, os princípios que ela reflete e tente aprimorá-la”, argumentam.

Diego Castro, jornalista

Tags: polarização, negociação, consenso, comunicação


Blog - 22.02.2018
Reinventar-se: o caminho para a mídia impressa
                                       
 
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Uma das grandes discussões atuais no meio do jornalismo impresso são quais os ©iStock.com/Fazon1rumos que o segmento irá tomar. O medo assola as redações de jornais e revistas, frente à época completamente digital que vivemos e o fechamento e enxugamento diversas grandes redações Brasil afora. Mas, ao que tudo indica, quem se reinventar terá total capacidade para sobreviver. Essa foi a lógica aplicada no The Washington Post, tradicional jornal americano. Comprado em 2013 pelo empresário Jeff Bezos, dono da Amazon, o negócio saiu da beira da falência para se tornar uma empresa sólida e, em 2018, entrou pela primeira vez para a lista das dez empresas mais inovadoras do mundo, divulgada esta semana pela revista Fast Company.

O segredo de Bezos? Não ter medo de mudar. O executivo não mexeu na linha editorial, mas realizou profundas mudanças na gestão e visão do negócio. Investiu na contratação de mais jornalistas, aumentando a qualidade do produto final. Prestou atenção no seu público e nas suas necessidades. Apostou ainda em novos devices e formatos, colocando o jornal em todo tipo de ambiente: o conteúdo pode ser acessado em diversos dispositivos e também está presente em portais famosos como MSN e agregadores como o Flipboard.

É interessante que, para virar o jogo, o Washington Post vem usando exatamente aquilo que a mídia impressa tanto teme: a tecnologia. Para auxiliar a redação, foram coletados dados dos leitores, que ajudaram a entender quem é o público do jornal e o que ele procura ler, refinando a elaboração das pautas. Outra novidade foi a criação de uma rede de cerca de 300 jornais regionais, que oferecem a seus assinantes acesso gratuito ao conteúdo digital do Washington Post. A publicação foi além e ainda investiu no ramo dos softwares, criando o sistema Arc, publicador que agilizou os processos e facilitou o trabalho dos jornalistas. Hoje o sistema é usado por redações de outros jornais, como o Los Angeles Times e o New Zealand Herald.

Com 140 anos de história, o jornal se tornou exemplo de superação para os demais veículos que atuam no segmento. Com as mudanças, a audiência da publicação disparou, superando 100 milhões de visitantes únicos online em 2016 e ultrapassando um milhão de assinantes digitais em 2017. Isso representou um aumento de 300% em apenas um ano. Sua trajetória mostra que, com visão aliada à inovação, é possível crescer e sobreviver.

Laís Albuquerque, estagiária de Jornalismo (Temática)


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Direto da redação
24.05.2018
A solidariedade em forma de agasalhos
22.05.2018
TV + Internet: hábito em crescimento
15.05.2018
Atividades promovem a educação financeira
14.05.2018
Encontro reúne especialistas em gestão de pessoas
 
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