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Blog - 07.06.2019
Flexibilidade no mundo do trabalho
                                       
 
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©iStock.com/kupicooTer mais tempo para a vida pessoal, aliando cuidados com saúde e bem-estar, lazer e compromissos com a família, é uma necessidade cada vez mais presente no cotidiano das pessoas – o que pode parecer paradoxal, em meio a um mercado de trabalho competitivo. No entanto, já é possível encontrar opções mais flexíveis no mundo corporativo. Uma delas é o trabalho remoto, que possibilita a execução de tarefas fora do ambiente convencional das empresas. Também conhecido como teletrabalho, esse novo formato abrange atividades realizadas à distância, facilitadas pelo uso de tecnologia e comunicação. Sua maior diferença é a maneira como as cargas horárias são organizadas, já que metas e obrigações continuam requerendo as mesmas necessidades das demandas estipuladas.

Seja para agilizar processos, aumentar a produtividade ou reduzir gastos, a modalidade tem se adaptado muito bem aos anseios dos millennials. Também conhecidos como geração y, os nascidos entre 1980 e 1990 são pessoas de fácil adaptação, acostumadas a mudanças constantes e com facilidade de aprender, inclusive inovações tecnológicas. Estudos, como o realizado pela Flexjobs, indicam que esta espécie de home-office empresarial cresceu 115% na última década. Dados da The Annual IWG Global Workspace Survey mostram que mais da metade das mais de 15 mil pessoas entrevistadas, em 100 países, já trabalham fora do escritório principal pelo menos 2 dias por semana.

No SXSW Conference & Festivals 2019, realizado em março, no Texas (EUA), Amy Forbes Winebright, gerente global de projetos da Dell, contou que a companhia se adaptou a essa tendência global para não perder talentos. Segundo o executivo, há um grande desafio para preencher as vagas existentes até 2020, pois não há candidatos qualificados suficientemente. A ampliação de oportunidades nesse formato, segundo ele, gerou uma economia de 60 milhões de dólares para a companhia. 

Um dos exemplos bem-sucedidos é o da diretora de Marketing para a América Latina e produtos para datacenter, servidores e networking da empresa, Flávia Valadares, que se sentiu atraída pelo modelo a partir da possibilidade de ficar mais próxima da família. A mineira, que mora há 15 anos em Porto Alegre, possui o mesmo tempo de atuação, passando por vários cargos na Dell. Ela começou parcialmente como remoto e hoje atua quase totalmente nesse modelo, acompanhando de perto suas equipes – mesmo não estando fisicamente presente. A profissional possui uma agenda lotada de reuniões e eventos, em meio a compromissos presenciais e virtuais, com horários variados, adaptáveis ao fuso horário de diferentes países.

Entre os benefícios da nova experiência, ela cita a atração e retenção de talentos, maior produtividade, ampliação da diversidade e inclusão social. Porém, quem se dispõe a trabalhar remotamente precisa vencer alguns desafios. Estar em casa todo tempo pode significar solidão, gerando necessidade de interação e até mesmo a sensação de não pertencer ao grupo. Há ainda o risco de se sentir “esquecido” por seus superiores ou de ter reconhecimento pelas tarefas. A companhia, segundo ela, promove a conexão entre as diversas equipes remotas realizando ao menos um encontro anual para integração de todos. Também possui a plataforma Conexus, para incentivar a troca de mensagens e fotos entre eles.

Para ter excelência nessa prática, o negócio deve estar em uma etapa elevada de disrupção, com ferramentais de TI disponíveis. Também é preciso fomentar a inovação, com tolerância ao erro para que surjam novas ideias, além de incentivar o empreendedorismo corporativo. Mas esse é  um tema para um outro post. “A transformação digital é uma realidade”, reforça Flávia.

Cláudia Boff, Jornalista (Temática) 

Tags: Trabalho remoto, millennials, inovação, flexibilidade, home-office


Blog - 22.05.2019
Startups: unicórnios e fracassos
                                       
 
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O Rio Grande do Sul virou o segundo maior polo de startups no país. A notícia é de 2 de maio. Estamos atrás apenas de São Paulo no ranking nacional dessas empresas iniciantes que desenvolvem produtos ou serviços inovadores, com potencial rápido de crescimento. São 951 congêneres aqui e mais de 12 mil no país, numa onda de crescimento de 20% ao ano.

Todas querem ser o próximo unicórnio, apelido carinhoso a quem conseguiu ser avaliada em US$ 1 bilhão antes de abrir seu capital na bolsa. Em 2018, o Brasil viu surgirem seus primeiros unicórnios: Nubank, 99, Movile, iFood, PagSeguro e Stone. Em 2019, a Gympass (app de assinatura para acesso a academias e estúdios) foi a primeira a atingir o posto, segundo o Valor Econômico.

Seria esse o melhor filão de mercado do momento? Possivelmente, mas a bonança não vem sem riscos. Uma pesquisa do Sebrae aponta que 30% das empresas não conseguem se manter no mercado. Outros levantamentos indicam que, nos primeiros cinco anos, metade deixa de existir. Um dos motivos para isso é a burocracia. No setor de tecnologia, as principais dificuldades são acesso a capital, obstáculos para entrar no mercado e divergência entre os sócios, nessa ordem.

Há outros dados úteis. O site americano CB Insights analisou as causas de morte de 101 startups em 2018. Em 42% dos casos, a principal razão de fechamento do negócio foi porque o mercado não tinha necessidade do que se produzia, ou seja, nenhum problema era resolvido. Em 29% dos casos, a companhia ficou sem dinheiro. 23% delas fecharam por divergências ou despreparo na equipe, 19% porque foram superadas pela concorrência e 18% por questões de preço e custo.

Até mesmo unicórnios podem encerrar atividades. No ano passado, a Theranos fechou as portas em setembro. Ela prometia fabricar um aparelho portátil capaz de fazer centenas de exames a partir de uma gota de sangue, de maneira rápida e indolor, com resultados quase imediatos. Mais de um bilhão de dólares foram arrecadados para esse fim, mas a situação era boa demais para ser verdade. O exagero na promessa gerou multa e acusação de fraude. Os investidores foram embora.

Na Radiografia do Ecossistema Brasileiro das Startups, feita pela Associação Brasileira de Startups no ano passado, as reivindicações do setor passam por simplificação do sistema tributário e incentivos fiscais para aceleradoras e investidores-anjo. Outros pleitos são facilidades de crédito e aumento na oferta de parques tecnológicos, como a Fábrica do Futuro, inaugurada em Porto Alegre no dia 23 de março. Quatro em cada dez startups ainda estão buscando escalar o seu negócio e sete em cada dez têm faturamento anual abaixo dos R$ 50 mil. Mais de mil empresas responderam à pesquisa.

Uma das melhores formas de se preparar para o mercado é contar com mentorias especializadas e acesso a um capital inicial. É o que prega o Sebrae: o índice de companhias nascentes que fracassaram após aceleradas é de 15%, a metade do que as que não passaram por nenhum programa de apoio. Outra vantagem do processo é o acesso a uma rede privilegiada de contatos. A propósito, esse é o motivo pelo qual o Rio Grande do Sul transformou-se em um polo na área: grandes empresas começam a investir nessas pequenas inovadoras.

Diego Castrojornalista (Temática)

Tags: startup, unicórnio, aceleradora, inovação, capital, Sebrae


Blog - 15.05.2019
Job sharing – compartilhando o trabalho
                                       
 
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Crédito: Divulgação/Unilever BrasilUm bom equilíbrio entre trabalho e vida pessoal é uma parte cada vez mais importante das estratégias de retenção de talentos. De acordo com estudo publicado na Harvard Business Review, funcionários que trabalham menos horas tendem a ser mais produtivos do que os que trabalham por mais tempo.

Dentro da tendência de flexibilidade nos horários de trabalho está o job sharing. O modelo permite dividir cargos de responsabilidade entre duas pessoas que trabalham em tempo parcial para preencher uma posição em tempo integral, que serve para funcionários que não querem ou não podem trabalhar uma jornada completa, por exemplo. Suíça, Reino Unido, Alemanha e Austrália são países onde a prática é adotada com mais frequência. 

Em abril, foi divulgado um exemplo nacional do modelo. Na Unilever Brasil, Carolina Mazziero e Liana Fecarotta compartilham a diretoria do setor de RH desde o mês passado. Carolina estava prestes a voltar de licença-maternidade do segundo filho, enquanto Liana tem dois filhos, de 5 e 2 anos. A ideia surgiu a partir de uma conversa entre elas.

As duas passaram a trabalhar três dias por semana. De acordo com a empresa, os planos estratégicos serão desenvolvidos em conjunto. Durante dois dias na semana, ambas estão no escritório ao mesmo tempo e nas sextas, elas estão de folga.

O principal objetivo do projeto piloto é permitir a conciliação de uma carreira ativa com prioridades pessoais dos colaboradores. De acordo com Luciana Paganato, vice-presidente de Recursos Humanos da Unilever Brasil e líder direta das duas profissionais, promover a inovação no modelo de gestão de recursos humanos permite atrair e reter talentos em um mercado de trabalho em transformação.

Possíveis formatos 

O modelo se adapta às necessidades e tem combinações distintas em outras organizações. As horas de trabalho podem ser divididas 50% para cada colaborador ou mesmo 60% para um e 40% para outo. Há casos, por exemplo, em que os dois funcionários nunca se veem.

Todos os formatos têm em comum o benefício da flexibilidade do trabalho. Os profissionais podem trabalhar em meio período sabendo que, quando não estão trabalhando, outra pessoa estará em seu lugar. E quem compartilha o cargo sabe que pode facilmente trocar um turno com o seu par.

Se ambos os colaboradores estiverem igualmente comprometidos, o resultado é bom tanto para eles quanto para a empresa. Entretanto, se um deles estiver sobrecarregado, pode trazer prejuízos tanto para os funcionários quanto para o empregador.

No cenário de job sharing, são mais comuns CEOs que compartilham a tarefa de liderar uma companhia. Isso ocorre na rede de restaurantes Chipotle, dos EUA, do Whole Foods, da Salesforce e do Deutsche Bank. Outro modelo é o da Samsung, que tem três presidentes que dividem o cargo

Laura Schenkeljornalista (Temática)

Tags: Job sharing, Unilever Brasil, Whole Foods, Salesforce, Deutsche Bank


Blog - 27.02.2019
O futuro do ensino
                                       
 
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Ferramenta primordial para a construção e renovação de uma sociedade, a educação enfrenta inúmeros desafios em uma época tão veloz e dinâmica como a atual Era Digital. A necessidade de mesclar conhecimentos com vivências práticas vai ao encontro das motivações e interesses pessoais, em uma tênue linha entre o individualismo e a coletividade. Preparar gerações para o futuro, em um mercado de trabalho cada vez mais exigente e incerto, fomenta muitos questionamentos. ©iStock.com/D-Keine

Em busca de respostas, organizações de todo o mundo consultam e se inspiram no grande polo de inovação e tecnologia atual: o Vale do Silício. Uma dessas instituições é a Escola Conquer, desenvolvida para aplicar conceitos modernos e práticos de educação. Localizada em Curitiba, ela acredita em 6 tendências que o ensino seguirá nos próximos anos: salas de aula dedicadas à prática, aprendizado personalizado, livre escolha, aplicabilidade no mercado, avaliações por projetos e valorização do quociente emocional. O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), originado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para avaliar processos de aprendizagem pelo mundo, já tem em vista algumas dessas transformações.

Andreas Schleicher, diretor de Educação da OCDE, mencionou ao jornal O Globo, em entrevista no último mês de novembro, que “o mundo está mudando, então o Pisa também deve evoluir.” Para isso, foram incorporadas na prova avaliações de habilidades sociais em 2015 e competências interculturais em 2018. Até 2021, serão avaliadas também as habilidades de pensamento criativo. De acordo com Schleicher, “o futuro consiste na personalização de experiências educacionais, ou seja, a construção de instruções a partir das paixões e capacidades do aluno.”

Em seu livro de 2017, Vai Lá e Faz, o cofundador da escola de metodologias Perestroika Tiago Mattos propõe reflexões acerca das lógicas industrial e digital para compreender os próximos passos do ensino pelo mundo. O autor relembra, através de referência à obra Libertando o Poder Criativo, de Ken Robinson, as linhas de montagens estruturadas em um pensamento linear, repetitivo, segmentado e previsível que serviu de base para a Revolução Industrial nos séculos XVIII e XIX. A partir desse sistema, as primeiras escolas públicas na Europa e nos Estados Unidos refletiam os procedimentos das fábricas – e até hoje estudantes fazem uso de uniformes, têm horários de entrada e saída, seguem um espelho de classe e avançam de série em série. É o que Mattos cita como rede tradicional, pública, massificada e gratuita de educação, desenhada para formar cidadãos aptos a trabalhar em indústrias.

Como alcançar um patamar satisfatório de educação, condizente com o ano 2019 e as revoluções tecnológicas, digitais e científicas que vivemos? Como tornar a inteligência artificial e a Internet das Coisas aliadas para nossa evolução, e não ameaças? Mais do que compreender o valor existente nas capacidades de comunicação, inovação, interpretação de dados e de trabalhar coletivamente, é preciso entender a educação como método de transformação. O ato de ensinar, com respeito à diversidade de todos, é uma revolução em si.

Diego Rodrigues, estagiário em Jornalismo (Temática)


Blog - 25.01.2019
Algumas tendências em comunicação e marketing
                                       
 
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©iStock.com/BymuratdenizAs áreas de comunicação e marketing vivem em constante transformação. Não bastasse a correria diária em que os profissionais se mantêm, em função de metas e prazos, é preciso estar atentos às mudanças instantâneas do mercado – diante das inovações tecnológicas, que pedem conteúdos em diferentes plataformas.

A preocupação com a informação, em meio a tantas fontes disponíveis – grande parte delas sem a checagem necessária, fazendo crescer a quantidade de fake news – deve permanecer incólume, seguindo os ditames do jornalismo. Mesmo que não se tenha tempo hábil para incluir algo inédito, pode-se trabalhar o fato de forma criativa, com o uso de recursos multimídia.

Especialistas indicam que a qualidade deve ser o foco central de qualquer trabalho. No caso das redes sociais, ela deve sobressair à frequência de postagens semanais. Apontada como uma das grandes tendências em comunicação e marketing para 2019, ela deve motivar a busca de ações inovadoras, com o uso principalmente de vídeos.

A utilização de ferramentas de voz é outra novidade que está em alta e deve acompanhar o crescimento do número dos novos consumidores. Embora não sejam nativos digitais, os millennians (nascidos entre a década de 80 e o começo dos anos 2000) estão imersos nas novas tecnologias, usando o microfone para buscas na internet, conversar pelo Whatsapp e esclarecer dúvidas com ferramentas de inteligência artificial. Na mesma direção, aumenta o consumo de textos em áudios, tanto em sites e blogs como em audiobooks.

A publicação de fotos e vídeos rápidos, que podem ser editados, mas sem filtros, também ganha gosto dos usuários das mídias sociais. Conhecidos como Stories, eles só podem ser vistos por um período curto de 24 horas, aumentando a visibilidade de páginas e perfis em até 300 vezes aos finais de semana. Cria-se a ilusão de que alguém comum pode virar celebridade em pouco tempo, incentivando-se a produção de conteúdos em ampla escala que é rapidamente descartada, com exceção de alguns destaques que já podem ser salvos. 

Novas oportunidades também se abrem para quem consegue atrair centenas de seguidores, com conteúdos diferenciados. O marketing de influência é uma outra realidade que não tem mais fronteiras. Trabalhar com influenciadores ou até mesmo embaixadores da marca pode render uma boa audiência para uma campanha, ação ou marca. Enfim, quase tudo pode ser feito hoje com o auxílio de mídias online e offline, basta traçar as estratégicas certas para atingir o público-alvo requerido.

Antes de investir tempo e recursos, porém, lembre-se que as pessoas ainda buscam uma empresa real, que possui propósito e autenticidade acima de tudo. Isso nem sempre requer uma produção exclusiva, podendo-se usar imagens reais de quem faz a organização acontecer. Dessa forma, valorizam-se também os talentos, possibiliando a humanização do negócio.

Cláudia Boff, jornalista (Temática)

Tags: comunicação, marketing, stories, ferramentas de voz, vídeos, influenciadores, humanização


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