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Blog - 22.09.2020
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A mesma ferramenta que nos conecta com o mundo e que impulsionou um aumento de produtividade em quase todos os setores mina a nossa capacidade de pensar profundamente, de manter a concentração, de reter fatos e dados na memória. A internet está deixando a humanidade mais superficial. Estes são os resultados de dezenas de pesquisas científicas de desempenho cognitivo, apresentados pelo escritor estadunidense Nicholas Carr no livro The Shallows: what the internet is doing to our brains (Os superficiais: o que a internet está fazendo com nossos cérebros).

Isso acontece porque o cérebro se adapta ao ambiente, assim como o corpo faz isso. O meio molda a forma de pensar e, literalmente, altera a plasticidade cerebral. As tecnologias então se tornam extensões de nós mesmos e nós nos tornamos extensões delas. Cada ferramenta impõe limitações junto com as suas possibilidades. Quanto mais usamos a internet, com sua miríade de fontes de informação, chamarizes e distrações, mais nos moldamos à sua forma e função. Se você já assistiu ao documentário O dilema das redes (Netflix), já compreendeu, por exemplo, como as redes sociais foram moldadas para manter sua atenção cativa e seu desejo constante por validação e novidades, como uma dependência.

No livro de Carr, o mecanismo de atração/distração do mundo virtual é explicado. A cada instante do dia, nosso cérebro é bombardeado por estímulos que podem merecer nossa atenção: objetos, sons, aromas, pessoas que conhecemos ou não, ameaças, ideias, memórias, emoções, sensações. A mente sempre precisa escolher um alvo, e para isso utiliza um sistema neural chamado de rede saliência. Essa rede dá prioridade a quatro tipos de estímulos: aqueles que são novos ou inesperados, aqueles que dão prazer ou recompensas, aqueles que são pessoalmente relevantes e aqueles que são emocionalmente engajadores.

São exatamente esses os estímulos fornecidos pelos smartphones, todo o tempo e em abundância, acionando gatilhos de dopamina. O celular moderno, portanto, se destaca como o meio de comunicação que mais nos chama a atenção na história, reunindo todas as possibilidades da TV, do rádio, dos jornais e revistas. É a coisa mais interessante do mundo, absorvendo a atenção das pessoas por cerca de 5h diárias. Computando todas as outras telas (PC, TV, tablet), o tempo de atenção humana está chegando a 10h/dia. Em contrapartida, o tempo médio de leitura de palavra impressa baixou a 16 minutos. Tire os idosos do cálculo e ficam seis minutos por dia.

É muito difícil se livrar desse desejo de checar novidades, notificações. E é muito fácil perder muito tempo na web. À medida que nossos trabalhos e nossa vida social estão centralizadas no uso de meios eletrônicos, quanto mais rápido conseguimos navegar por suas plataformas e mais agilmente somos aptos a mudar nossa atenção entre tarefas online, mais valiosos nos tornamos como empregados e até como colegas e amigos. Nossos trabalhos dependem da conectividade e nossos ciclos de prazer estão intrinsecamente ligados a ela. Não há retrocesso quanto a isso.

A questão é saber do que estamos abrindo mão em troca de todas as imensas possibilidades. Hiperlinks, vídeos, jogos, notificações, conversas, posts, toda a variedade de mecanismos para chamar a atenção viciam a mente em distrações, solapando a capacidade de concentração e reflexão, que decrescem cada vez mais. Outra área que sofre é a memória. A segurança de ter acesso a tudo online relaxa a mente na tarefa de reter informações. Além disso, a sobrecarga de estímulos apresentada na internet dificulta a formação de memórias de longo prazo. Uma série de testes cognitivos realizados em universidades americanas e europeias mostra que a mera presença do celular em cima de mesa durante a execução da tarefa, mesmo silencioso e com a tela para baixo, piora o desempenho humano em comparação a quem deixou o aparelho em outra sala.

“Um dos maiores perigos ao automatizar o trabalho da mente, à medida que cedemos o controle de nossos pensamentos e memórias a um poderoso artefato eletrônico, é a lenta erosão de nosso humanismo e humanidade. Quanto mais distraídos ficamos, quanto mais se divide nossa atenção, menos somos empáticos e compassivos”, diz um dos pesquisadores citados na obra. Outra reflexão é que, ao delegarmos nossa memória a uma máquina, também delegamos a ela grande parte de nosso intelecto e de nossa identidade. A conexão passa a representar o eu.

Bom, alguns analistas pensam que estamos progredindo e que vamos nos adaptar a todas essas mudanças. Perdemos e ganhamos algo no processo. Podemos perder a capacidade de nos concentrar numa tarefa complexa do início ao fim, mas estamos aptos a conduzir várias conversas simultaneamente em distintas plataformas. A profundidade cede espaço à velocidade do pensamento. Vários negócios ganharam uma escalabilidade nunca vista. Enfim, talvez a inteligência deva ser definida por novos termos. Fica, entretanto, o alerta feito pelo ex-vice-presidente do Facebook, Chamath Palihapitiya: “Os comportamentos das pessoas estão sendo programados sem que elas percebam. Agora você tem que decidir o quanto vai renunciar”. 

Por Diego Castro, jornalista

Tags: internet, produtividade, redes sociais, memória, concentração, superficial, conexão, celular, pesquisa


Blog - 19.12.2016
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©iStock.com/ImgorthandNão importa se você é empreendedor, professor, artista ou engenheiro. Para qualquer pessoa, ser curioso traz benefícios que podem ser pessoais, profissionais ou mesmo para a sociedade.Conseguir pensar e agir de novas maneiras é algo revolucionário.

De acordo com o livro Innovating Minds: Rethinking Creativity To Inspire Change, que faz um apanhado de pesquisas sobre a mente e comportamento, a criatividade é muito mais do que um processo estatístico, está profundamente ligada a emoções e motivação. “Pensar é algo que emerge de uma interação dinâmica e contínua de cérebro, mente e ambiente. Conhecendo mais o nosso pensamento podemos otimizar nossas mentes inovadoras, mentes que se adaptam criativamente de forma continuada, construindo o que aprendeu com flexibilidade, ajudando os outros a fazê-lo também e formando ambientes que sustentam e semeiam a inovação”, descreve o livro de Wilma Koutstaal e Jonathan Binks.

E se essa característica é tão importante, dentro e fora das empresas, é de grande valia pensar em como estimulá-la. Afinal, o que auxilia as pessoas a serem curiosas? Essa dúvida foi o norte de uma pesquisa desenvolvida pela Merck que mediu os níveis da curiosidade de funcionários e o nível da curiosidade apoiado por suas empresas. Participaram do estudo trabalhadores da Alemanha, da China e dos Estados Unidos.

De acordo com o relatório (clique aqui para ler a íntegra do texto, em inglês), curiosidade envolve o reconhecimento, a busca, e preferência das coisas que são novas, incomuns, e fora de sua experiência normal. Para realizar o estudo, a curiosidade foi dividida em quatro dimensões: inquietude (fazer perguntas e explorar ideias), criatividade (vontade de experimentar novas soluções), abertura (ter preferência por uma variedade de experiências e perspectivas) e tolerância (capacidade de atender o desconhecido com coragem, em vez de ansiedade).

Para fomentar a curiosidade dos funcionários, as empresas precisam criar um ambiente de trabalho feliz. Mais da metade dos funcionários altamente curiosos trabalham para organizações que alimentam ativamente a curiosidade no trabalho e podem ter qualquer idade, embora os mais jovens tendam a expressar a sua curiosidade com mais frequência. Além disso, funcionários curiosos trazem ideias à vida no trabalho. Eles se sentem contagiados e satisfeitos pelo trabalho que fazem e tendem a ter um papel significativo no processo de tomada de decisão.

A pesquisa revelou que existe uma relação entre a curiosidade e a satisfação no trabalho: os trabalhadores que são "extremamente satisfeitos" com os seus empregos são mais suscetíveis de ser altamente curiosos.

Percebeu-se também uma diferença de perfil por país: na China e nos Estados Unidos, os trabalhadores da geração Y tiveram as maiores pontuações no Índice de Curiosidade dos Colaboradores. Já na Alemanha, os baby boomers têm as maiores pontuações. E você, o quão curioso você é? Faça aqui um teste interativo.

Laura Schenkel, jornalista (Temática)

Tags: curiosidade, pesquisa, psicologia, cérebro, criatividade


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