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Blog - 11.10.2016
Como sobreviver à avalanche
                                       
 
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©iStock.com/CurvaBezierSoterrados por informações, ansiosos por interação, vivemos tempos complicados. Uma rápida lembrança de assuntos diversos que bombaram na internet e nas redes sociais mostra que separar o joio do trigo está virando tarefa para “detetives”. O problema é que as pessoas não têm tempo para isso.

Vejamos: no ramo do entretenimento, o comediante Gregório Duvivier escreve artigo para jornal lembrando carinhosamente de sua ex-namorada. O texto viraliza na internet e dias depois se descobre que era uma estratégia comercial para divulgação de um filme com os dois. O jogador Neymar aparece cantando e tocando piano em um vídeo, dizendo que viraria cantor. Era uma campanha publicitária de chocolate.

No âmbito político, também não está fácil. Defensores públicos acusaram um ex-presidente de ser líder de uma organização criminosa. A direita aplaudiu. A esquerda, em contrapartida, forjou uma frase que nunca foi dita para desmoralizar a falta de provas da denúncia divulgada.

Na esfera social, os defensores da reforma trabalhista querem a flexibilização das leis para que as empresas consigam se desonerar e reduzir o contingente de 12 milhões de desempregados no Brasil, que já representa 11,8% da população economicamente ativa. Entidades de trabalhadores, por sua vez, afirmam que exemplos estrangeiros de reformas na mesma linha não resultaram na diminuição do número de pessoas sem trabalho. Dois lados de uma mesma moeda.

Quem não está confuso, está mal informado. A observação sagaz que se popularizou depois das manifestações de 2013 permanece atual, cada vez mais. O quadro ainda é pior quando se vê que, mesmo diante de versões conflitantes dos fatos e diversos pontos de vista, muitos têm pressa em defender um lado da questão e agarram-se a ele fervorosamente.

Em quem acreditar? As redes sociais parecem a terra das certezas, num momento em que a ponderação e o diálogo fazem falta. Jornais e revistas tradicionais lutam contra uma crise de credibilidade. O campo parece propício para iniciativas de curadoria de conteúdo e checagem de dados. Informação é um bem precioso, precisa ser tratada com todo cuidado. O jornal britânico Times, por exemplo, anunciou em março que atualizaria seu site apenas três vezes por dia. O objetivo da medida foi oferecer "artigos confiáveis e em profundidade, análise atualizada e opiniões estimulantes." É a busca da perfeição enfrentando a pressa. 

Diego Castro, jornalista na Temática Publicações

Tags: curadoria, sobrecarga, checagem, informação


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