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Blog - 22.05.2019
Startups: unicórnios e fracassos
                                       
 
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O Rio Grande do Sul virou o segundo maior polo de startups no país. A notícia é de 2 de maio. Estamos atrás apenas de São Paulo no ranking nacional dessas empresas iniciantes que desenvolvem produtos ou serviços inovadores, com potencial rápido de crescimento. São 951 congêneres aqui e mais de 12 mil no país, numa onda de crescimento de 20% ao ano.

Todas querem ser o próximo unicórnio, apelido carinhoso a quem conseguiu ser avaliada em US$ 1 bilhão antes de abrir seu capital na bolsa. Em 2018, o Brasil viu surgirem seus primeiros unicórnios: Nubank, 99, Movile, iFood, PagSeguro e Stone. Em 2019, a Gympass (app de assinatura para acesso a academias e estúdios) foi a primeira a atingir o posto, segundo o Valor Econômico.

Seria esse o melhor filão de mercado do momento? Possivelmente, mas a bonança não vem sem riscos. Uma pesquisa do Sebrae aponta que 30% das empresas não conseguem se manter no mercado. Outros levantamentos indicam que, nos primeiros cinco anos, metade deixa de existir. Um dos motivos para isso é a burocracia. No setor de tecnologia, as principais dificuldades são acesso a capital, obstáculos para entrar no mercado e divergência entre os sócios, nessa ordem.

Há outros dados úteis. O site americano CB Insights analisou as causas de morte de 101 startups em 2018. Em 42% dos casos, a principal razão de fechamento do negócio foi porque o mercado não tinha necessidade do que se produzia, ou seja, nenhum problema era resolvido. Em 29% dos casos, a companhia ficou sem dinheiro. 23% delas fecharam por divergências ou despreparo na equipe, 19% porque foram superadas pela concorrência e 18% por questões de preço e custo.

Até mesmo unicórnios podem encerrar atividades. No ano passado, a Theranos fechou as portas em setembro. Ela prometia fabricar um aparelho portátil capaz de fazer centenas de exames a partir de uma gota de sangue, de maneira rápida e indolor, com resultados quase imediatos. Mais de um bilhão de dólares foram arrecadados para esse fim, mas a situação era boa demais para ser verdade. O exagero na promessa gerou multa e acusação de fraude. Os investidores foram embora.

Na Radiografia do Ecossistema Brasileiro das Startups, feita pela Associação Brasileira de Startups no ano passado, as reivindicações do setor passam por simplificação do sistema tributário e incentivos fiscais para aceleradoras e investidores-anjo. Outros pleitos são facilidades de crédito e aumento na oferta de parques tecnológicos, como a Fábrica do Futuro, inaugurada em Porto Alegre no dia 23 de março. Quatro em cada dez startups ainda estão buscando escalar o seu negócio e sete em cada dez têm faturamento anual abaixo dos R$ 50 mil. Mais de mil empresas responderam à pesquisa.

Uma das melhores formas de se preparar para o mercado é contar com mentorias especializadas e acesso a um capital inicial. É o que prega o Sebrae: o índice de companhias nascentes que fracassaram após aceleradas é de 15%, a metade do que as que não passaram por nenhum programa de apoio. Outra vantagem do processo é o acesso a uma rede privilegiada de contatos. A propósito, esse é o motivo pelo qual o Rio Grande do Sul transformou-se em um polo na área: grandes empresas começam a investir nessas pequenas inovadoras.

Diego Castrojornalista (Temática)

Tags: startup, unicórnio, aceleradora, inovação, capital, Sebrae


Blog - 15.05.2019
Job sharing – compartilhando o trabalho
                                       
 
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Crédito: Divulgação/Unilever BrasilUm bom equilíbrio entre trabalho e vida pessoal é uma parte cada vez mais importante das estratégias de retenção de talentos. De acordo com estudo publicado na Harvard Business Review, funcionários que trabalham menos horas tendem a ser mais produtivos do que os que trabalham por mais tempo.

Dentro da tendência de flexibilidade nos horários de trabalho está o job sharing. O modelo permite dividir cargos de responsabilidade entre duas pessoas que trabalham em tempo parcial para preencher uma posição em tempo integral, que serve para funcionários que não querem ou não podem trabalhar uma jornada completa, por exemplo. Suíça, Reino Unido, Alemanha e Austrália são países onde a prática é adotada com mais frequência. 

Em abril, foi divulgado um exemplo nacional do modelo. Na Unilever Brasil, Carolina Mazziero e Liana Fecarotta compartilham a diretoria do setor de RH desde o mês passado. Carolina estava prestes a voltar de licença-maternidade do segundo filho, enquanto Liana tem dois filhos, de 5 e 2 anos. A ideia surgiu a partir de uma conversa entre elas.

As duas passaram a trabalhar três dias por semana. De acordo com a empresa, os planos estratégicos serão desenvolvidos em conjunto. Durante dois dias na semana, ambas estão no escritório ao mesmo tempo e nas sextas, elas estão de folga.

O principal objetivo do projeto piloto é permitir a conciliação de uma carreira ativa com prioridades pessoais dos colaboradores. De acordo com Luciana Paganato, vice-presidente de Recursos Humanos da Unilever Brasil e líder direta das duas profissionais, promover a inovação no modelo de gestão de recursos humanos permite atrair e reter talentos em um mercado de trabalho em transformação.

Possíveis formatos 

O modelo se adapta às necessidades e tem combinações distintas em outras organizações. As horas de trabalho podem ser divididas 50% para cada colaborador ou mesmo 60% para um e 40% para outo. Há casos, por exemplo, em que os dois funcionários nunca se veem.

Todos os formatos têm em comum o benefício da flexibilidade do trabalho. Os profissionais podem trabalhar em meio período sabendo que, quando não estão trabalhando, outra pessoa estará em seu lugar. E quem compartilha o cargo sabe que pode facilmente trocar um turno com o seu par.

Se ambos os colaboradores estiverem igualmente comprometidos, o resultado é bom tanto para eles quanto para a empresa. Entretanto, se um deles estiver sobrecarregado, pode trazer prejuízos tanto para os funcionários quanto para o empregador.

No cenário de job sharing, são mais comuns CEOs que compartilham a tarefa de liderar uma companhia. Isso ocorre na rede de restaurantes Chipotle, dos EUA, do Whole Foods, da Salesforce e do Deutsche Bank. Outro modelo é o da Samsung, que tem três presidentes que dividem o cargo

Laura Schenkeljornalista (Temática)

Tags: Job sharing, Unilever Brasil, Whole Foods, Salesforce, Deutsche Bank


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