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Blog - 13.07.2017
Quando a palavra escrita não existe mais
                                       
 
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Escolhi cursar jornalismo há algum tempo por gostar de palavras. Ler, discuti-las, entender o seu discurso. Quando entrei na faculdade descobri a minha preferência por impresso, o que veio a calhar com a formação em Letras, que estou em vias de formalizar. Gosto de semântica, fonética, sintaxe e morfologia. Me diverte entender de onde as palavras vêm, quais as suas relações com os sons, como elas se organizam e se regem e também como elas adotam certos sentidos. A vida em sociedade não seria possível se não tivéssemos as palavras, e, mais do que isso, a palavra escrita.

A abolição da palavra escrita é um dos preceitos da sociedade teocrática descrita por O conto da aia, livro que terminei de ler recentemente. Na obra de 1985, a autora Margaret Atwood traz uma realidade distópica na República de Gilead,  que anteriormente fora os Estados Unidos, e agora é um estado centralizado em uma teocracia fundamentalista totalitária. Em Gilead não existem mais jornais, revistas, livros ou filmes – todos foram queimados em praça pública, e as universidades foram extintas. Regido por poder patriarcal, os direitos das mulheres não existem mais, e elas se dividem em castas, cada uma assumindo funções específicas a serem desempenhadas no Estado. Offred, a protagonista, é uma aia – handmaid, na versão original – e sua função é unicamente prover filhos saudáveis para as famílias poderosas e quase estéreis do alto escalão. É partindo desta premissa que O conto da aia se desenrola, trazendo reflexões necessárias sobre o nosso presente, o quanto não devemos contar como certa a nossa liberdade e nossos direitos civis, e também como é frágil o mundo como o conhecemos.

Margaret Atwood, em diversas entrevistas sobre o livro, revelou que nenhuma das regras de Gilead foi criada por ela mesma – todas foram retiradas de algum determinado momento da história. Por isso assombra que o conhecimento escrito tenha sido simplesmente excluído da vida cotidiana da população. As fachadas das lojas não trazem nomes, apenas símbolos do que vendem, como uma placa com ovos e carne desenhados para designar a mercearia. Na casa onde mora, o único artefato com algo para leitura dado a Offred é uma pequena almofada na qual está escrito ‘Fé’. Quando a sua vida dá uma pequena reviravolta e a protagonista se depara com a possibilidade de realizar algo ilícito, lhe é dada uma revista de moda antiga para folhear, crime punível com amputação de uma das mãos.

Ler é ilícito, e escrever mais ainda. Uma grande ironia da adaptação do livro para seriado de TV homônimo, lançado este ano pelo serviço de streaming Hulu, é que a esposa da casa de Offred, Serena Joy, era uma proeminente escritora na instauração da república de Gilead, e na época assumiu uma posição de porta-voz dos fundamentalistas, ajudando na idealização do movimento. Agora, relegada a uma vida doméstica e restrita, Serena Joy está infeliz com o rumo que as coisas tomaram.

As palavras escritas documentam, expressam mentalidades e retratam realidades. Elas permitem liberdade e fazem viajar pelo tempo. Mais do que perigosas, elas são eternas exatamente por serem verdadeiras. Ao vasculhar o quarto em que ela fica confinada a maior parte do dia, buscando algo para fazer e não enlouquecer, Offred encontra, gravada em uma prateleira de seu guarda-roupa, uma mensagem de sua antecessora. Nolite te bastardes carborundum. Não deixe os bastardos te reduzirem às cinzas. Quatro pequenas palavras em latim que vão muito além do seu significado e resgatam algo quase morto na protagonista – a resistência.

Nathália Cardoso, estagiária de Jornalismo (Temática)


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