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Reportagens - 20.02.2018
No combate às inverdades
                                       
 
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Conforme o jornalismo online se popularizou e os leitores começaram a horizontalizar as relações midiáticas, surgiu também um novo fenômeno de comunicação – as fake news, matérias falsas e repletas de inverdades, utilizadas, em geral, para descreditar alguma entidade

Desde o seu surgimento, o Jornalismo se propõe a levar ao público informações de qualidade e de relevância, a fim de construir a opinião pública de maneira justa, ética e imparcial. Para construir reportagens e demais conteúdos de qualidade, o jornalista se apoia na apuração bem-feita, na busca de dados confiáveis e em entrevistas com boas fontes, tendo por certeza a necessidade de entregar a melhor matéria possível ao leitor. Entretanto, nos últimos cenários, com a rapidez trazida pela internet e a popularização de meios de informação, impulsionado fortemente pelas mídias sociais, pelos dispositivos móveis e pelos aplicativos de mensagens, abriu-se espaço para as fake news, conteúdo de origem e veracidade duvidosos, altamente disseminados online.

Buscando mapear a complexidade da situação, a Kantar Worldpanel desenvolveu o estudo Trust in News, com entrevistas no Brasil, Estados Unidos, Reino Unido e França, a fim de compreender como este tipo de conteúdo está minando a confiança das notícias online. O levantamento aponta que a desconfiança é tanta a ponto de a reputação dos meios impressos disparar em relação a mídias online. Ainda que 78% dos entrevistados afirmem consumir notícias na internet, 41% revelam acreditar que portais de notícias exclusivamente online têm menos credibilidade. Os canais impressos, como jornais e revistas, estão em alta, com mais de 70% de confiança entre os leitores, perdendo apenas para os canais de transmissão 24h por dia, com 78% dos entrevistados relegando alta credibilidade.

Outro ponto quase unânime entre os participantes da pesquisa foi a ideia de que o “Jornalismo de qualidade é fundamental para uma democracia saudável”, conceito presente para 73% entrevistados – ainda que apenas 56% acreditem no que leem. A importância do combate às fake news entrou em evidência principalmente nas eleições presidenciais americanas de 2016, quando no embate entre o republicano Donald Trump e a democrata Hillary Clinton as próprias campanhas dos candidatos empregaram este tipo de tática para minar a confiança dos eleitores. A questão foi tão debatida que a palavra do ano, escolhida tradicionalmente escolhida pelo dicionário Oxford, foi pós-verdade, que se refere a “relativo ou que denota circunstâncias nas quais fatos objetivos são menos influenciadores na formação da opinião pública do que apelos à emoção ou à crença pessoal”.

Segundo a professora de Jornalismo da Espm-Sul, Rosângela Florczak, as fake news não são novidade no ramo jornalístico, uma vez que desde os primórdios da comunicação há a tentativa de plantar informações não verídicas, mal apuradas e que pudessem prejudicar alguém. “Isso sempre existiu, mesmo no ‘jornalismo analógico’. A diferença é que hoje existe um ecossistema favorável de circulação, no qual não se necessita fazer um esforço muito grande para vender e colocar no ar este tipo de pauta”, comenta. Para o professor de Jornalismo da Pucrs e presidente da Associação Riograndense de Imprensa (ARI), Luiz Adolfo Lino de Souza, este tipo de notícias pode prejudicar pessoas e instituições de uma maneira irreversível: “Nas suas eleições, o candidato Donald Trump ganhou protagonismo quando atacou os veículos de comunicação, acusando-os de criar as fake news contra ele”.

O professor ainda ressalta que Mark Zuckerberg, criador do Facebook, admitiu que estava enganado sobre a suposta união entre as pessoas objetivada pela sua rede social: “Ao contrário, aumentou as diferenças entre as pessoas e criou as famosas bolhas. Além disso, cada vez mais, websites são criados com interesses nada éticos”. Para Rosângela, ainda que as redes sociais tenham nascido com propósitos saudáveis e benéficos para os seus usuários, hoje as fake news são consideradas consequências nocivas, pois encontram receptores ainda não educados para consumir noticias online e que, em geral, não conseguem distinguir se é verdade ou não. Portanto, afirma a professora, é fundamental que os agentes de meios de comunicação, como jornalistas – sejam eles repórteres ou editores – já saiam da faculdade com a ideia do ecossistema atual, e também da sua responsabilidade em mostrar ao leitor as inverdades às quais está exposto. “Temos um cenário de comunicação de massa finalmente horizontalizado, com o cidadão finalmente empoderado pelo tipo de conteúdo que ele deseja, pode consumir e encaminhar para os amigos e conhecidos. Juntando à atração das mídias sociais, o fenômeno de fake news só tende a aumentar”, salienta Rosângela.

Para Lino de Souza, o combate às informações falsas deve estar também nas redações, devido à importância dos profissionais de jornalismo na causa, que por sua vez não podem aceitar que uma notícia possa ser definida como mentira: “Precisamos, por obrigação e ética profissional, sempre confirmar a autenticidade de uma informação que será uma futura notícia”. Segundo o acadêmico da Pucrs, é de extrema importância jamais veicular uma notícia que não seja confirmada como verdadeira, uma vez que os veículos de comunicação precisam, em suas práticas diárias, confirmar as informações antes de divulgá-las; além de editá-las e publicá-las apenas o material que tiver fonte confiável. Além disso, o professor ainda reitera que é tarefa de todas as pessoas responsáveis, em qualquer setor público ou privado, zelar pela autenticidade das informações. “É necessário coibir mentiras e calúnias em sites de garagem, produzidas por não profissionais. O linchamento moral, inclusive feito por autoridades, deve ser combatido com legislação adequada”, comenta.

De acordo com Rosângela, é de extrema importância que o ensino superior – tanto na graduação como na pós – também assuma o seu papel na luta contra as fake news, unindo-se aos veículos de comunicação na conscientização das pessoas. “São necessárias pesquisas em nível acadêmico para entender este fenômeno, buscando respostas para pará-lo”. Contudo, uma máxima é certa: o jornalista deve seguir como garantia de credibilidade. Portanto, afirma Lino de Souza, avisar a população sobre as mentiras e esclarecer o que realmente aconteceu é também tarefa dos jornalistas, que, por sua vez, devem sempre contrastar e ir a fundo sobre tudo o que publicam. “Não podemos confiar em apenas uma fonte e veicular um fato apenas com a confirmação da fonte principal não é sempre possível. Entretanto, é nosso dever obter confirmações paralelas e, como máxima do jornalismo, ouvir mais de um lado”.


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